|
Toronto Canadá
Autoproclamada "a cidade mais multicultural do
mundo", Toronto talvez tenha sido a principal fonte de inspiração
do teórico da comunicação Marshall McLuhan (1911-1980), um dos mais
famosos filhos da metrópole e autor da expressão "aldeia
global". Um dos destinos mais visitados do Canadá - com 3 milhões
de habitantes, recebe cerca de 16,5 milhões de turistas por ano -, a
cidade é um interessante mosaico de nacionalidades. A cada esquina,
diferentes sotaques. Afinal, são mais de 100 idiomas representados lá.
Localizada à beira do Lago Ontario, perto da fronteira
com o Estado norte-americano de Nova York (Extremo-sul do Canadá),
Toronto tem um clima de extremos: de dezembro a março, um frio rigoroso
(termômetros podem chegar aos 30°C negativos), e, de maio a setembro,
uma época quente e úmida (média de 30°C positivos). A melhor forma de
descobrir a cidade é caminhando ou utilizando o TTC, sistema municipal de
transporte público, formado por duas linhas de metrô, ônibus e os
populares street cars (bondes elétricos).
Como era de se esperar de uma cidade multicultural, a
noite de Toronto é uma miscelânea de caras e ritmos. A maior
concentração de pubs e danceterias fica na região próxima do Lago
Ontario, entre as ruas Adelaide West, John West, Richmond West e Queen
West. É nessa área que estão os famosos The Guvernment, danceteria mais
badalada do momento; Bamboo, bar com música ao vivo onde imperam os
ritmos latinos; Crocodile Rock, para quem gosta de dançar ao som de
músicas que fizeram sucesso nos anos 70 e 80; e The Horseshoe Tavern,
tradicional reduto de bandas alternativas.
A melhor coisa a se fazer antes de sair de casa é
consultar os tablóides semanais Now e Eye, publicados às quintas-feiras
e distribuídos gratuitamente por toda a cidade. Ou dar uma olhada na
Internet. Os sites www.torontobars.com e www.xtra.ca trazem o melhor da
cidade no que diz respeito a cinema, teatro, shows, bares e gastronomia.
Nada melhor do que passear a pé para entender o mix
cultural de Toronto. Assim é possível ver os bairros com a cara dos
imigrantes que neles vivem. Importante: é bem fácil cumprir o roteiro
já que todos esses lugares estão localizados perto de estações de
metrô da região central.
Como a maior comunidade estrangeira é a chinesa -
estimada em 500 mil habitantes -, a dica é iniciar a visita por Chinatown,
entre as ruas Spadina e Dundas West. Com decoração típica e letreiros
em chinês, o bairro é o melhor local para compras de eletroeletrônicos.
Os souvenirs têm ótimos preços, mas são de qualidade duvidosa. A
chamada Koreatown segue os mesmos moldes de Chinatown, e fica nas
imediações da estação de metrô Christie (rua Bloor West).
Quem quiser provar a culinária italiana deve se
reservar pelo menos uma noite para andar por Little Italy. Ao longo da rua
College pode-se escolher entre as dezenas de restaurantes e bares. No
comando da cozinha, imigrantes da Itália ou seus descendentes. Para
conhecer o tempero indiano, o destino certo é a região em torno da rua
Sherbourne.
O Brasil não poderia ficar de fora. Para se sentir
"em casa" em Toronto, vá à rua Dundas West, onde se concentra
a comunidade de portugueses e brasileiros. Com placas em português e
atendentes falando a nossa língua, o bairro faz duvidar de que se está
realmente no Canadá. Há também lojas que vendem CDs de MPB, samba e
axé. Na rua, é possível ainda saborear um típico churrasco ou comprar
ingredientes para assar um legítimo pão-de-queijo mineiro.
As compras estão entre as atividades prediletas dos
habitantes de Toronto. Por isso, não faltam opções para quem quer
entrar na moda ou comprar souvenirs. O Eaton Centre, maior shopping center
da cidade, é também um marco de arquitetura moderna. O acesso pode ser
feito de metrô, entre as estações Queen e Dundas. São 300 lojas, em
quatro andares e dois quarteirões.
Para fugir do calor ou do frio - dependendo da época
do ano -, a dica é passear pelos shoppings da chamada Underground
Toronto, que pode ser definida como um imenso shopping center debaixo da
terra, entre as ruas Dundas e Front, também com acesso pelo metrô. Sem
colocar o nariz na rua, é possível ir ao banco, às lojas, ao cinema ou
a bares.
Quem pode gastar mais deve ir a Yorkville, charmosa e
cara área de compras de Toronto, entre as ruas Bay e Younge, na região
central. O bairro parece ser uma mini-Campos do Jordão, com arquitetura
européia, butiques e grandes lojas de marcas conceituadas como Victor
Hugo, Guess e Godiva.
Uma vez em Toronto, é preciso reservar dinheiro e
tempo para viagens de um dia, como Niagara-on-the-Lake, Niagara Falls e
Stratford. Quem vai à cidade canadense para estudar inglês pode optar
pelas excursões promovidas nas próprias escolas, geralmente mais em
conta do que um roteiro normal. Outra opção econômica é embarcar em
viagens organizadas por agências locais, a maioria fica em Chinatown. Ou
alugar um carro - a Carteira Nacional de Habilitação do Brasil é
válida por dois meses no Canadá.
As visitas a Niagara-on-the-Lake (130 quilômetros a
sudeste de Toronto) e a Niagara Falls (160 quilômetros na mesma
direção) podem ser feitas no mesmo dia. Niagara-on-the-Lake, a menos de
duas horas de Toronto, conserva em bom estado suas construções do
século 19. E tem vasta lista de opções culturais. A dica é checar a
programação antes de partir para a cidade para não perder nenhuma
atração.
A meia hora dali, Niagara Falls fica na fronteira com o
Estado norte-americano de Nova York. Foi lá que Marilyn Monroe gravou
Niagara. Depois de ver do alto a Horseshoe Falls - quedas que levam este
nome por terem o formato parecido ao de uma ferradura de cavalo -,
embarque num dos botes que levam os turistas bem próximo das quedas.
Nessa hora, surge a inevitável comparação. Qual cachoeira é mais
bonita: Niagara ou Foz do Iguaçu? Difícil é se decidir.
Os destaques de Niagara Falls não param por aí: há
ainda um enorme cassino e muitas lojas de souvenirs, que podem ser vistas
de longe por causa da grande quantidade de luminosos nas fachadas. Uma
amostra, aliás, da forte influência da cultura norte-americana nesta
parte do Canadá.
Stratford é uma charmosa cidade nas imediações, a
145 quilômetros a nordeste de Toronto. O local torna-se ainda mais
atraente entre os meses de abril e novembro, quando ocorre o tradicional
Stratford Festival. Assim como em Niagara-on-the-Lake, convém dar uma
olhada na programação antes de chegar lá.
Por Toronto, também é fácil chegar à parte francesa
do Canadá. Viaje para Ottawa, capital do país, ainda na Província de
Ontario, e para as aconchegantes Quebec e Montreal, na Província de
Quebec, onde o "quebecquoi", como é chamado o sotaque francês
da região, é a língua mais falada.
|